Férias e Condomínios: A Segurança do seu condomínio está em Alerta?

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O período de férias expõe fragilidades que, em outras épocas do ano, poderiam passar despercebidas

Márcio Spimpolo

Com a chegada das férias, milhões de brasileiros se preparam para viajar, buscando descanso e lazer. No entanto, enquanto muitos desfrutam de seus merecidos dias de folga, os condomínios residenciais se tornam alvos mais vulneráveis para a ação de criminosos. O esvaziamento de unidades e a alteração na rotina dos moradores criam um cenário propício para furtos e roubos, exigindo atenção redobrada e estratégias de segurança eficazes.

Os dados consolidados de 2025 reforçam a tendência observada no início do ano: embora haja uma queda percentual nos registros oficiais de roubos a residências e condomínios, a especialização das quadrilhas e o impacto das ocorrências mantêm o setor em alerta máximo.

De acordo com o balanço anual da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e levantamentos de entidades do setor (como a AABIC), os números para o Estado de São Paulo em 2025 apresentam o seguinte cenário:

As Vulnerabilidades Expostas e o Modus Operandi Criminosa

O período de férias expõe fragilidades que, em outras épocas do ano, poderiam passar despercebidas. A ausência prolongada de moradores, a interrupção de serviços como entregas e a menor circulação de pessoas nas áreas comuns são fatores que facilitam a observação e o planejamento de ações criminosas. O modus operandi das quadrilhas tem se mostrado cada vez mais sofisticado, utilizando desde a clonagem de controles remotos até a dissimulação de identidades, como o uso de uniformes de prestadores de serviço para adentrar os condomínios.

Além disso, a falta de comunicação eficiente entre portaria, zeladoria e moradores, somada à ausência de processos claros de segurança, pode criar brechas significativas. Distrações, ingenuidade e despreparo de funcionários e até mesmo de condôminos são falhas comuns que os criminosos exploram para ter acesso às dependências do condomínio.

Tecnologia e Fator Humano: Pilares da Segurança Condominial
Para combater essa realidade, a segurança condominial deve ser encarada como uma responsabilidade compartilhada, envolvendo síndicos, administradoras, funcionários e, fundamentalmente, os próprios moradores. A tecnologia desempenha um papel crucial nesse cenário, com avanços significativos que podem fortalecer as barreiras de proteção.


Sistemas de câmeras com inteligência artificial, reconhecimento facial e portarias remotas são algumas das soluções que ganham destaque. A portaria remota, por exemplo, oferece a vantagem do registro automático de todos os acessos, com imagens e histórico completo, além de reduzir a exposição de porteiros a riscos direto. No entanto, a escolha entre portaria remota e presencial deve considerar as particularidades de cada condomínio, sendo que ambas podem ser eficazes quando bem implementadas e integradas a um plano de segurança abrangente.


Contudo, a tecnologia, por si só, não é suficiente. O fator humano permanece como um pilar insubstituível. O treinamento constante de porteiros e zeladores, a conscientização dos moradores sobre a importância de seguir as normas de segurança (como não abrir portas para desconhecidos e reportar comportamentos suspeitos), e a manutenção de uma comunicação clara e eficaz são elementos essenciais para mitigar riscos.

Estratégias Essenciais para Condomínios em Período de Férias

Para garantir a tranquilidade dos moradores e a integridade do patrimônio durante os períodos de férias, a gestão condominial deve adotar uma postura proativa, substituindo a vigilância passiva por um conjunto de medidas preventivas integradas. A segurança de um condomínio é um sistema dependente da colaboração entre administração, funcionários e condôminos, exigindo estratégias que cubram desde o fluxo de informações até a manutenção física das barreiras de proteção.

O primeiro pilar dessa estratégia reside na comunicação e organização interna. É fundamental que os moradores que planejam viajar informem previamente a administração e a portaria. Esse registro não serve apenas para o controle de fluxo, mas permite que os funcionários tenham em mãos contatos de emergência atualizados e uma lista restrita de pessoas autorizadas a acessar a unidade na ausência do titular. Complementando essa organização, o condomínio deve avaliar o reforço estratégico das equipes de segurança, redobrando a vigilância em turnos de maior vulnerabilidade ou em datas de grande saída de moradores.

No campo operacional, o controle de acesso deve ser rigoroso e inegociável. A portaria precisa ser orientada a exigir identificação formal de qualquer visitante ou prestador de serviço, confirmando o agendamento antes de qualquer liberação. Este cuidado se estende à gestão de encomendas; o acúmulo de pacotes e correspondências é um dos principais sinais externos de que uma unidade está vazia, portanto, a portaria deve gerenciar essas entregas de forma a não evidenciar a ausência do morador. Paralelamente, o monitoramento tecnológico deve ser intensificado, com atenção especial à cobertura de pontos cegos e à verificação constante de que sistemas de iluminação, cercas e muros estão em perfeito estado de conservação.

Por fim, a eficácia de qualquer sistema de segurança depende da conscientização dos moradores. É essencial promover campanhas internas que desencorajem comportamentos de risco, como a divulgação de viagens em tempo real nas redes sociais, o que pode fornecer informações valiosas para criminosos. Ao unir uma infraestrutura bem mantida, uma equipe treinada para o monitoramento ativo e uma comunidade consciente, o condomínio cria uma barreira eficaz contra as ameaças típicas do período de férias.

A segurança em condomínios durante o período de férias é um desafio complexo que exige uma abordagem ampla. A combinação de investimentos em tecnologia de ponta, treinamento contínuo da equipe e, acima de tudo, a conscientização e colaboração de todos os moradores são fundamentais para criar um ambiente seguro e tranquilo. É um esforço coletivo que visa proteger não apenas o patrimônio, mas a paz e o bem-estar de toda a comunidade condominial, permitindo que as férias sejam, de fato, um período de descanso e despreocupação.

Fonte: https://www.acidadeon.com/ribeiraopreto/cotidiano/colunistas-ribeirao-preto/ferias-e-condominios-a-seguranca-do-seu-condominio-esta-em-alerta/

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