Não é sermão, é convite: ser aliado é um papel ativo — e tem mais a ver com atitude do que com filtro no perfil em junho
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É isso que vocês devem ser. A L I A D O S.
Aliás, aliados pra tudo e pra sempre, tá? Não só no mês de junho, quando as empresas colocam a logo colorida, quando os perfis da firma postam “🌈 com muito orgulho” ou quando rola convite pra palestra com gay carismático (oi, presente!). A causa LGBTQIAPN+ é perene. E, aliás, nem é só ela — a luta de todas as minorias deveria ter pauta constante nos nossos condomínios.
E quando eu falo “aliados”, não é sobre ficar gritando palavras de ordem na varanda gourmet ou marchar na Paulista com roupa colorida (mas se quiser, eu ajudo no look).
É sobre agir. Agir no seu trabalho, no seu condomínio, na sua família, nos seus grupos de WhatsApp da firma, da academia e principalmente da galera do futebol.
Sou muito fã da frase “você não precisa ser preto para lutar contra o racismo”. E completo: você também não precisa ser LGBT para ser contra a homofobia — especialmente dentro dos nossos condomínios.
Já parou pra pensar no quanto síndicos e administradores de condomínio deveriam ser mais instruídos sobre pluralidade? Não só por uma questão de “boas práticas de gestão”, mas porque liderar uma comunidade exige preparo emocional e social. O síndico é quase uma “síntese humana” das regras daquele microcosmo — e, adivinha? Quem sai como vilão é ele, mesmo quando só está aplicando normas que os próprios condôminos aprovaram em assembleia. Uma mistura de Jesus, RH e atendimento do SAC. Só que sem feriado.
Agora junta isso com preconceito. Com o morador que faz “cara de nojo” quando vê dois homens de mãos dadas na área comum. Com a vizinha que liga reclamando da “festinha animada demais” do rapaz do 402 (que por acaso só estava ouvindo Pablo Vittar num volume perfeitamente aceitável). Ou com o morador que se recusa a ser atendido por uma funcionária trans na portaria. Isso acontece. E mais do que gostar de postar arco-íris em junho, é importante saber o que fazer quando essas situações acontecem em julho, em setembro, em março. Afinal, forma de amor não tem data de validade.
Vejo muito conteúdo bacana rolando todo mês de junho. Sou convidado pra vários debates, entrevistas e rodas de conversa (e AMO, por favor continuem me chamando, minha agenda está aberta e meu ego também). Mas acho importante demais que a tal chavinha vire — e vire de vez — na cabeça das pessoas.
E eu tô falando de virar mesmo, com barulho de “clac” e tudo, tipo aquelas luzes de hotel que você nunca sabe se estão ligadas ou apagadas. Porque, veja bem: se até nós, da comunidade, ainda temos nossas próprias desconstruções pra fazer… Imagina o hétero médio que foi criado com piadas homofóbicas na mesa do almoço de domingo e nunca teve um amigo gay (assumido) no colégio?
Então vamos lá, meu querido leitor hétero:
A maneira mais eficaz de desconstruir preconceitos é convivendo com o diferente. Então aproveita as chances que a vida te dá. Conhece, escuta, se interessa. Troca ideia com quem pensa diferente de você, com quem ama diferente de você, com quem vive diferente de você. Troca de lugar. Nem que seja por cinco minutos — ou cinco andares no elevador social.
Você só tem a ganhar. Como pessoa, como profissional, como ser pensante neste planeta cheio de complexidade e glitter. E ó: se precisar de ajuda pra começar essa jornada, eu te empresto um arco-íris e te ensino umas gírias ótimas. Nem que seja só para xingar condômino mal-educado.
Mas não esquece: aliado que some fora de época é só fã de camarote ou do sofá. Levanta, bota um cropped e vamos pra luta, meu filho.