Alternativa cresce cada vez mais e é uma opção de economia
O que a baixa de recursos hídricos da Sabesp, eventos climáticos extremos e a alta na conta de luz têm em comum? Muita coisa. Isso porque, devido aos eventos climáticos extremos, temos muitos períodos de estiagem ou de chuva em épocas irregulares, o que impacta diretamente as reservas hídricas do país.
“Como a principal matriz energética do Brasil é a hidrelétrica, quando há essa situação de baixa nos reservatórios, há uma sobretaxa na energia, deixando a fatura mais cara para os condomínios”, explica a especialista em ESG para condomínios Rosely Ruibal.
Esse movimento não é recente, mas tem-se intensificado nos últimos anos, com diversas bandeiras vermelhas-2 – o mais alto patamar de custo da energia elétrica.
Principalmente movidos pelo desejo de economizar na fatura de energia, muitos síndicos têm buscado as placas de energia fotovoltaicas para seus condomínios. E, com o aumento da demanda, a melhoria da tecnologia e as linhas de crédito específicas para este fim, ficou mais barato aprovar um projeto do tipo em empreendimentos comerciais e residenciais.
“Hoje há créditos específicos para condomínios, muitas empresas conseguem emprestar sem pedir uma garantia específica para a instalação das placas”, explica a assessora financeira Caroline Guimarães.
Para isso, é feita uma análise de crédito comum, semelhante à que é feita a uma empresa.
Passo a passo de implementação das placas fotovoltaicas em condomínio
A síndica profissional Eliane Vaz, no Rio de Janeiro, conta que um condomínio onde atua já foi entregue com a promessa de uso das placas solares, mas isso não se concretizou.
“A construtora não entregou essa parte corretamente. Então optamos por uma empresa cujo serviço poderíamos pagar com o desconto que teríamos na conta de energia”, conta ela.
A aprovação obtida em assembleia foi de um projeto novo e um financiamento em 60 vezes.
“Após esse período o sistema é nosso. A conta mensal era de R$ 22 mil e hoje pagamos R$ 11 mil. Pagamos R$ 7 mil de financiamento, o que já está gerando uma boa economia. Também é importante dizer que conseguimos aquecer a piscina com o sistema, o que encareceria bastante a fatura com a concessionária”, analisa ela.
A síndica profissional que atua na Grande São Paulo, Larissa Lacerda, também já está colhendo os frutos de economia envolvendo as placas de energia solar.
“Orçamos diversas empresas, fizemos algumas reuniões com os moradores e mostramos os benefícios. Um dos conselheiros realmente mergulhou no assunto e colaborou muito na tomada de decisão”, aponta ela.
Um dos pontos que mereceu mais atenção no momento do estudo foi a potência das placas e os seus valores.
“É muito importante ter mais gente ajudando a viabilizar um projeto assim”, pesa ela.
Larissa explicou que, apesar de haver dinheiro em caixa, o condomínio optou pelo financiamento, que deve durar quatro anos.
“Seguimos rateando o valor da conta, que era de R$ 12 mil, e, com a diferença, pagamos o empréstimo. Assim, seguimos com o dinheiro em caixa para poder efetuar outras benfeitorias no condomínio”, pesa ela.
Para Rosely Ruibal, é essencial que o síndico opte por uma consultoria especializada no assunto.
“O síndico também pode contar com uma consultoria para que o condomínio tenha um consumo mais racional de energia, seja com a substituição de itens, como lâmpadas por LEDs, ou optando por outra matriz energética”, aponta a especialista.
Benfeitoria de longo prazo
“Eu sempre gosto de lembrar os clientes que as placas têm durabilidade de 20 anos, desde que recebam a manutenção adequada”, explica Guilherme Alves, sócio da ESG, empresa especializada nesse tipo de serviço.
A manutenção das placas é simples, feita com produto específico para a limpeza de vidro e pode ser realizada pelos funcionários do condomínio, pelo menos uma vez ao ano.
“Com certeza é algo que agrega à gestão, essa possibilidade de economia mais permanente ao condomínio”, analisa Larissa.
O maior desafio da energia solar no condomínio: lugar para as placas
Um problema que muitos condomínios podem ter é a falta de espaço para as placas, principalmente no telhado. Mas até isso já está mudando.
Muitos condomínios já optam por alugar a energia solar gerada em outros espaços, como é o caso de um condomínio no Rio de Janeiro, da síndica profissional Edna Savio.
“Implantamos a tecnologia bem na época da covid, em 2019, no auge da pandemia, e não tínhamos dinheiro em caixa. A empresa que contratamos estava começando com as ‘fazendas’ de energia solar. Como havia pouco espaço no condomínio, optamos por gerar 20% in loco e 80% na fazenda”, explica Edna.
Ela contou que, mesmo com o valor do aluguel, houve anos em que a economia gerada foi de cerca de R$ 180 mil. Com isso, foi possível arrumar a quadra, o playground e ainda investir a diferença.
“Foi, com certeza, uma ótima opção para o condomínio”, conclui.
Mas essa não é a única opção para quem tem pouco espaço para as placas.
“Começamos a colocar placa nos barriletes de água, ela fica em pé”, explica Guilherme Alves, sócio da ESG, empresa especializada nesse tipo de serviço.
Ele ressalta que soluções mais criativas dependem muito do espaço disponível em cada condomínio e que, para isso, uma visita técnica é fundamental.
“Só assim conseguimos avaliar o que é possível para cada empreendimento. Às vezes, quando há garagem descoberta, conseguimos fazer uma cobertura com as próprias placas, o chamado carport, e, dependendo do município, não há aumento de IPTU para a área coberta, já que está gerando energia”, exemplifica.
Outro ponto levantado por ele são os novos materiais que estão chegando ao mercado: placas que se assemelham a revestimentos comuns e que poderão ser usadas para captação de energia em sacadas e fachadas de modo geral.
“De toda forma, é essencial salientar que não adianta sair instalando as placas, e uma análise prévia com uma empresa especializada é fundamental”, pesa Guilherme.
Receita com as placas solares em condomínio
Hoje, além do benefício de poder economizar até 90% na fatura de energia, existe a possibilidade de o condomínio obter uma fonte de renda com as placas fotovoltaicas.
“Conseguimos instalar carregadores no condomínio abastecidos com energia solar. Os moradores podem carregar os carros em uma vaga cedida pelo condomínio e, com um aplicativo próprio, cobrar por esta recarga”, aponta Guilherme.
Rosely Ruibal ainda destaca esse benefício da energia fotovoltaica em condomínios que não sejam de alto padrão.
“Condomínios de baixo padrão também devem se beneficiar dessa economia que é tão acessível”, argumenta.