Na última quarta-feira, 19, um condomínio residencial de classe média, na região central da capital paulista, foi alvo de um golpe que vem se multiplicando nos grandes centros urbanos. Uma quadrilha tentou invadir o prédio usando um controle remoto clonado. Por sorte dos moradores, o porteiro estava atento, acionou a polícia e travou os portões de acesso. Ao perceberem que a entrada havia sido bloqueada, os criminosos abandonaram o carro e fugiram pulando o muro.
Quando a automação dos portões passou a integrar a rotina dos condomínios, a tecnologia trouxe sensação de segurança ao reduzir o tempo de exposição na entrada das garagens. No passado, o temor era ser abordado ao chegar em casa e virar refém. Agora, a estratégia mudou. Principal meio de acesso aos prédios residenciais, o controle remoto tornou-se alvo de quadrilhas especializadas em capturar os códigos desses dispositivos para replicá-los e acessar os condomínios sem chamar a atenção.
Na maioria dos casos, a clonagem pode ocorrer à distância, a partir da calçada, sem levantar suspeitas. “Os criminosos utilizam um equipamento popularmente chamado de ‘chupa-cabra’”, explica Adilson Lourenço, proprietário da A2SEC, empresa especializada em segurança eletrônica. “Isso ocorre principalmente com controles de código fixo, que transmitem sempre o mesmo sinal binário e podem ser copiados pela placa receptora do portão ou do alarme.” Esses dispositivos operam, em geral, em radiofrequência na faixa de 433 a 450 MHz, o que permite a interceptação do sinal. Já os modelos mais modernos utilizam sistemas anticlonagem, conhecidos como rolling code, que alteram o código a cada acionamento.
Outra tática recorrente é o furto do controle em estacionamentos ou lava-rápidos, muitas vezes sem que o proprietário perceba, os criminosos deixam um aparelho semelhante no lugar. Ao chegar em casa e constatar que o portão não abre, o morador tende a supor que o controle está com defeito. Por isso, especialistas recomendam que o dispositivo não permaneça no interior do veículo, mas seja guardado junto ao motorista, assim como as chaves da residência. Mais indispensável ainda é o treinamento dos funcionários para um controle efetivo de acesso com conferência da placa do carro, do modelo e, principalmente, de quem está na direção. E quando as informações não batem, precisam saber agir, como fez o porteiro do prédio invadido na região central de São Paulo. Afinal, foi ele quem salvou os moradores de um arrastão.


